O punk impróprio do Tuna invade o Converse Rubber Tracks

O punk impróprio do Tuna invade o Converse Rubber Tracks

8 Jan 2016

O punk rock físico e intimista do Tuna tem sua origem em um espaço importante da cena de underground de São Paulo. O “Espaço Impróprio”, um coletivo não-hierarquizado com palco para shows e palestras que é também a casa de alguns artistas. Durante sua sessão no Converse Rubber Tracks Brasil, nós aproveitamos um tempinho para falar com a banda sobre o início de tudo, a mudança no estilo de gravação e a descoberta de um novo integrante na sua própria cozinha.

Por favor, se apresentem.

Eu sou o Paulo, toco guitarra no Tuna e gostaria de apresentar o Babalu, que nunca foi membro oficial da banda, mas toca com a gente desde o início. Ele inclusive tocou no nosso primeiro show ao vivo.

Quando foi isso?

Paulo: 2005? Não, foi em 2008! Com certeza foi 2008. O Mudinho morreu em 2009.

Babalu: Sim, no momento eu estou cuidando da bateria. Eles já tiveram vários bateristas que caíram fora, mas sempre me chamaram como suplente. Originalmente, o baterista do Tuna era o Mudinho, um rapaz jovem que era amigo nosso, mas ele faleceu. Naquele tempo, todos nós morávamos no Espaço Impróprio, um projeto coletivo em São Paulo. O primeiro show aconteceu lá, por isso que me chamaram para tocar. Eles me convidaram pela relação próxima que nós tínhamos. O Mudinho era meu aluno de bateria.

Paulo: Ele gravou o primeiro álbum, na mesma semana ele ficou doente e foi direto pro hospital.

Como vocês se juntaram para formar o Tuna?

Paulo: Quando o Tuna começou, eu tinha acabado de parar de trabalhar na lanchonete do Impróprio. Andreza e o Josimas [baixo] também trabalhavam lá e o Mudinho estava sempre por lá. No início, éramos só nós três e a Andreza entrou depois que a gente já procurava um vocalista há um tempo. A gente mal sabia que ela estava ali do nosso lado! Um dia durante o ensaio a gente ouviu ela cantar na cozinha e deu aquele estalo. Era a primeira vez dela como cantora.

Como foi a sessão de hoje para vocês? Gravaram ao vivo?

Babalu: Sim, gravamos ao vivo sem o click. Eu queria que ficasse mais natural que da vez passada quando usamos o click. Eu me senti mais confortável assim. Para falar a verdade, não sou um baterista muito bom de tempo.

Paulo: Tocar ao vivo é o melhor jeito. Soa mais natural, no caso foi o jeito que a música demandou.

Babalu: Hoje a gente focou mais em gravar os instrumentos da melhor forma possível. Essa é a parte mais complexa de uma sessão de gravação e não é sempre que temos um estúdio tão bom quanto esse à disposição para gravar bateria com tanta qualidade. É uma pena eu não ter um lugar como esse lá em casa.

Então o que vocês gravaram hoje vai fazer parte de um split album…

Babalu: Sim, com uma banda punk de Sergipe. É por isso que a nossa música ficou tão grande. A gente estava pensando em fazer duas, mas sempre tem o problema da faixa ficar curta e começar a tentar arrumar. Nunca fica legal. Dessa vez a gente deixou correr, ficar do tamanho que tinha que ficar. Acabou que ficou com 6 minutos.

Paulo: Na verdade o meu objetivo pessoal é fazer uma música de punk rock de 8 minutos, mas não conta para os outros caras! [risos]

Babalu: É, tem que ver se a gente aguenta tocá-la direito por tanto tempo. [risos]

Quais os seus planos para o ano? Shows, turnês?

Paulo: Sim, mas primeiro a gente tem que achar um baterista definitivo.

Babalu: A gente já tem alguns shows marcados. Próxima sexta-feira, dia 22 a gente toca junto com o Deaf Kids de São Paulo, Alarm e La Fraction, ambas bandas francesas. Esse show é o chute inicial do nosso split album com o Alarm. A gente também vai tocar em Itanhaém, litoral de São Paulo, no próximo domingo dia 24. É um festival que a Andreza e o Josimas estão organizando na casa deles. Eles têm um pequeno selo independente de punk rock.

Enquanto a gente não resolve a história da formação, vamos continuar tocando conforme as oportunidades aparecem. Eu acho que o Tuna também é isso: se juntar e tocar sempre que dá. Paulo é professor e sempre que ele tem folga, a banda ressurge e a gente cai na estrada para tocar tanto quanto a gente consegue.

Ouça um mix único de punk com post-punk do Tuna retirado seu último LP, “Dupla Face” de 2013.

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