Red Lights Gang: se não existisse rockabilly, eles teriam inventado

Red Lights Gang: se não existisse rockabilly, eles teriam inventado

25 Nov 2015

A banda paulistana entusiasta do rockabilly Red Lights Gang toca um rock n’roll clássico com tanta energia e disposição que parece que o estilo acabou de ser inventado. Durante sua sessão no Converse Rubber Tracks Brasil, conversamos com a banda sobre se conhecer online, gravar álbuns como era em 1955 ao mesmo tempo que planejam o seu futuro.

Por favor, apresentem-se e diga o que é a banda.

Fábio McCoy (bateria): Tocamos rockabilly, country e gostamos de rhythm & blues dos anos 40. Hoje em dia tocamos um misto de ‘Música americana de raiz’.

Há quanto tempo vocês tocam juntos?

McCoy: A banda começou em 2009. No começo era uma formação diferente mas tudo começou por causa de uma música.

Felipe (guitarra): Eu não tinha banda ainda, mas um cara veio e me deu uma música de presente. Eu gravei as bases e convidei uns amigos da internet para se juntarem a mim. Depois que terminamos, compartilhei o resultado com todo mundo e todos curtiram! Nos conhecemos pessoalmente e foi assim que tudo começou.

Américo (vocal): Nós postamos no finado Myspace. Que Deus o tenha! [risos]

Felipe: A sessão de hoje me lembrou aquele dia. Estamos com uma formação nova, o Phil (violão) acabou de entrar e tem uma vibe parecida. Coisas novas surgindo e todo mundo animado. Posso dizer que estamos em uma fase bem criativa.

O que vocês já gravaram?

Felipe: Temos dois álbuns gravados. O primeiro já foi lançado e para o segundo ainda estamos vendo a melhor forma de lançar.

Quando vocês gravaram o primeiro?

Américo: Em 2013 lançamento pela Bad Habits Records, um selo pequeno. É um projeto autoral chamado “13” com 13 faixas. Nosso segundo trabalho foi gravado em Berlim em um estúdio chamado Lightning Recorders.

McCoy: Conseguimos gravar 6 músicas mas vamos lançar só 5. Na verdade queremos lançar em vinyl de 10”. Seria um pecado lançar em CD porque todo o equipamento do estúdio é pré anos 60. Não tem nenhum computador no estúdio. Fomos fazer uma turnê e aproveitamos para gravar o disco. É um lugar bem conhecido pela galera do Rockabilly. Todas as bandas importantes do gênero já gravaram lá.

Mas foi bem oldschool mesmo? Tipo só 2 microfones na bateria…como foi?

Felipe: Não, na verdade nosso primeiro álbum foi gravado ao vivo mas tocado em salas diferentes. Todos juntos, mas com o baixo em uma sala e a bateria em outra. Ao vivo, mas separado, sacou?

Mas o segundo disco foi desse jeito. Um [microfone] na bateria e um outro para o resto. Quando a gente foi mixar, o engenheiro ficava andando para lá e para cá na sala segurando o microfone. Foi bem engraçado.

Miller (contra-baixo acústico): Tem uma coisa curiosa sobre essa sessão em Berlim. Naquela época eu não era tão envolvido com música. Eu conheci esses caras quando eu trabalhava em uma casa de shows então… como cada faixa é bem diferente uma da outra, o engenheiro movia o microfone dos vocais para a guitarra, da guitarra para a bateria.

Parecia bem estranho, mas quando a gente ouviu… meu Deus! Estava incrível. Bem simples, cru e bonito. Nunca tinha gravado sem monitores. Gravar daquele jeito criou uma conexão forte entre a gente. Passamos a respeitar mais um ao outro como músicos. Acho que com toda essa tecnologia de hoje, tudo deveria ser bem mais fácil, sem stress.

Como você disse, hoje foi bem diferente de como vocês gravaram antes…

Felipe: Não sei para o resto da banda, mas eu curti muito a experiência. Muito aprendizado. Todos já tínhamos essa experiência [de gravar cada instrumento separadamente] em outros projetos, mas de alguma forma nunca tinha rolado direito para nós no Red Lights Gang.

E sobre a sessão de vocês no Converse Rubber Tracks? Como você vê o projeto?

Felipe: Já que era uma oportunidade única, a gente tentou tirar o máximo. Sem nenhuma amarra ou algo que pudesse nos prender. Queríamos que fluísse, chegar aqui com a cabeça aberta e ouvir todos os toques que vocês poderiam dar. Foi fantástico.

Américo: Como dissemos antes, já que estamos com uma formação nova, queremos fazer as coisas de uma forma diferente, experimentando mais. Nossa trip para a Europa influenciou demais nosso som, queríamos testar tudo nessa sessão.

Galeria:

Lumen Craft leva pro estúdio seu som eletrônico artesanal

Lumen Craft leva pro estúdio seu som eletrônico artesanal

Música feita em computador com um toque humano. Composto por Noah Guper (guitarra/clipper/sintetizador), John Evans (vocal/sintetizador) e Ceah Pagotto (sintetizador), o coletivo eletrônico paulistano Lumen Craft encontrou um lugar comum entre a criatividade artesanal e a precisão tecnológica. “O eletrônico …


Saiba Mais