Autêntico e vigoroso, Molho Negro é rock amazônico

Autêntico e vigoroso, Molho Negro é rock amazônico

30 Oct 2015

Direto das garagens da Amazônia, Molho Negro é a materialização do que se precisa para ser uma banda independente de sucesso no Brasil. Embora seja de Belém (PA), bem longe da cena musicais dos grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, Molho Negro vem cavando seu lugar com um garage rock potente, fazendo-se presente no circuito de festivais e com dois álbuns gravados em apenas três anos de existência.

A última turnê os trouxe para São Paulo, onde tiveram a oportunidade de voltar a gravar em estúdio no Converse Rubber Tracks. Durante a sessão, a banda falou um pouco sobre sua história, seus planos e da origem inusitada do seu nome.

Fale um pouco mais sobre o Molho Negro. Há quanto tempo vocês tocam juntos?

João Lemos (guitarra/voz): Molho Negro começou em 2012. Na verdade nós gravamos nosso primeiro EP durante o Natal de 2011 e o lançamos em janeiro do ano seguinte. Nosso primeiro álbum foi lançado no fim daquele ano e foi a compilação dos nossos primeiros dois EPs. O primeiro foi gravado em Goiânia (GO) e o segundo em Natal (RN).

Por que Goiânia?

João: No começo, Raony (baixo) não tocava com a gente ainda. Augusto (bateria) e eu decidimos ir ao Rock Lab Studio do Gustavo Vasquez, que a gente acha muito bom. Um monte de bandas que conhecemos gravaram lá e nós gostamos dos resultados. Por isso fizemos lá e foi um grande aprendizado para todos nós.

O primeiro álbum foi lançado em outubro de 2012. Desde então começamos a tocar em muitos lugares e em festivais como o DoSol em Natal (RN), Festival Quebramar em Macapá (AP), PMW Festival em Palmas (TO), Se Rasgum em Belém (PA), Até o Tucupi em Manaus (AM) e algumas vezes em São Paulo também.

Em maio de 2014, lançamos o segundo disco chamado “Lobo”. Até agora nossa turnê é basicamente para tocá-lo. Enquanto isso, já começamos a trabalhar na pré-produção do próximo projeto, que vamos gravar ano que vem. O bacana é que conseguimos fazer uma versão em vinil transparente do “Lobo”, o que era algo surreal para a gente até então.

O que é Molho Negro?

João: Cara, é a melhor e pior pergunta que você poderia fazer porque não foi nem ideia dos integrantes! Um amigo nosso de Belém deu a ideia quando dissemos que iríamos montar uma banda. Não somos bom para essas escolhas: nome de banda, nome de cachorro…

Depois disso, começamos a inventar um monte de histórias, mas não tem uma explicação de verdade. Achamos interessante que não tem nada a ver com música. Talvez no futuro as pessoas associem essa expressão com a gente, tipo “O que é Molho Negro? Ah…é uma banda.” No início a gente só encontrava receitas no Youtube, agora você encontra nossos vídeos ao invés de receita de frango teriyaki.

O que vieram fazer em São Paulo?

João: Viemos fazer uma turnê. Viemos para tocar na Casa do Mancha, gravar no Converse Rubber Tracks e fazer alguns outros shows. Acabamos de voltar do Nordeste, onde tocamos em Fortaleza (CE), Natal (RN) e Recife (PE). Somos basicamente uma banda na estrada.

Vocês são 100% dedicados à banda?

João: Sim, é nosso trabalho.

Vocês sempre trabalharam com música?

João: Eu toco em bandas desde os 15 anos. Quando o Molho Negro começou eu tinha uns 24 anos. É o meu primeiro projeto sério, mas sempre fui envolvido com bandas, seja como roadie, diretor de palco, desde sempre. Estou há praticamente uma década nesse mercado.

Augusto Oliveira: Eu tocava covers na noite lá em Belém, comecei a tocar com 22 anos.

João: Hoje ele tem 40 anos! (risos)

Raony Pinheiro: Eu comecei a tocar violão por volta dos 15 tocando música erudita e acabei começando a tocar covers em bares também.

João: Acho que eu sou o único que nunca tocou em uma banda cover. Eu não consigo tocar música dos outros de jeito nenhum!

Raony: Depois de música erudita e covers, eu me juntei ao Molho Negro. João e eu somos amigos de infância. Um dia ele disse que precisava de alguém pra tocar baixo e aqui estou.

Como tem sido sua experiência no Converse Rubber Tracks até agora?

João: Tem sido incrível! Chegamos com uma ideia de gravar um vídeo durante a sessão. O Jean Dolabella (engenheiro do estúdio) não comprou a ideia e nos perguntou: “vocês vão usar o tempo de vocês aqui para focar na gravação de um vídeo? Pô, galera!”. Refletimos e vimos que ele estava certo. Decidimos usar a sessão para gravar uma versão mais lenta de uma faixa do nosso atual CD, que começamos a trabalhar em casa e tem sido ótimo. A equipe do estúdio tem nos tratado super bem também.

Raony: Outra coisa legal é a gente está há um bom tempo fora de estúdio, só tocando e viajando. E de repente tem essa coisa de “Vamos pro estúdio! Bora gravar!” para depois voltar para casa com uma experiência em um grande estúdio. O que a gente já ouviu antes da mixagem já está incrível.

Quais os planos para essa faixa?

João: A gente brinca que essa versão que é mais lenta e viajada. Queremos lançar como um single especial com um vídeo. Outubro passado a gente gravou um DVD de um show em Belém. Público fantástico, estamos muito felizes com isso. Vamos lançar só no próximo ano e esse single vem para preencher esse gap. Ainda estamos planejando como o vídeo vai ser, mas já temos umas boas ideias.

Se o Converse Rubber Tracks existisse há 10 anos atrás, você acha que poderia ter mudado a história de vocês?

João: Com certeza. Talvez 10 anos atrás teria sido mais difícil já que sabíamos bem menos do que sabemos hoje, mas teria sido bastante útil. O fato de você se inscrever e ser selecionado para um estúdio com essa estrutura é único. Não conheço ninguém que apoia projetos como esse.

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