Não é preciso sete vidas para conhecer o som de Fabio Kidesh

Não é preciso sete vidas para conhecer o som de Fabio Kidesh

15 Jan 2016

Sua aparência e seu som podem ser elegantes, mas é necessário mãos calejadas para dominar a cítara clássica. Durante a sessão no Converse Rubber Tracks Brasil, Fabio Kidesh nos ensinou um pouco da história e do design ímpares desse instrumento milenar.

Por favor, apresente-se.

Meu nome é Fabio Kidesh e eu sou da Bahia. Eu me interesso por música indiana desde pequeno. Tinha essa enciclopédia na minha casa onde eu passava um tempão olhando as páginas, mesmo tendo só cinco ou seis anos.

Meu trabalho anterior não tem nada a ver com música indiana. Eu tinha minhas próprias composições, que tocava com violão. Dois anos atrás eu comprei a cítara e comecei a estudá-la a fundo, bem como a música clássica indiana.

E como a cítara funciona?

É um instrumento bem complexo. Muitos dos instrumentos modernos foram inspirados nela, como o sintetizador e a guitarra. A cítara clássica foi criada há 4 mil anos. Começou na Pérsia com 3 cordas, chegou até a Índia e continuou evoluindo. Há 500 anos, a versão moderna tem 7 cordas principais na parte superior e 13 na parte inferior. As de cima são as percussivas. O músico tem que estudar percussão para acompanhar o swing. Ele tem enxergar a cítara como um instrumento de percussão também. As de baixo funcionam por ressonância.

As cordas são de aço?

Sim, algumas das cordas são de aço, enquanto outras são de cobre e bronze. Por mais que pareça um instrumento delicado, é bem duro para as pontas dos dedos. Na verdade machuca bastante. Apesar de que, depois de um tempo, os dedos ficam dormentes e você se acostuma. Usa-se também um dedal chamado Mizrab no seu dedo indicador que é o usado para tocar. O dedo mindinho é usados apenas para as cordas de baixo.

Outra coisa interessante é que o músico não olha para a platéia. Ele está sempre olhando para baixo, prestando atenção ao instrumento. Assim parece que ele está com os olhos fechados como se estivesse meditando.

Fale um pouco do seu trabalho. Você lançou algo recentemente?

Na verdade, não tinha planos para gravar ou lançar nada. Tenho estudado muito a cítara, mas por pouco tempo. Só 2 anos. Eu gravei uma faixa e coloquei no meu Soundcloud. Teve uma repercussão muito boa e um festival me chamou para tocar sozinho. Na verdade, eu convidei algumas pessoas para tocar flauta e bateria comigo. São os mesmos que me acompanharam hoje também. Ensaiamos apenas uma vez no dia anterior e fomos tocar!

É bem difícil tocar, certo? Como funciona o aprendizado na Índia?

Geralmente, a música indiana clássica é ensinada de pai para filho, respeitando o sistema de castas. Hoje em dia, tornou-se menos quadrado e mais universal. Ainda que no Norte há muitos músicos que não ensinam ninguém que não seja de sua família.

Não sei se você já ouviu, mas há um dito que você precisa de 7 vidas para tocar cítara. Não é que você precisa viver 7 vidas, ele fala da sucessão do conhecimento pelas gerações. O aprendizado vem de família.

Eu ouvi você tocando hoje e parecia que vocês gravaram a parte da flauta substituindo a parte do canto. É isso?

Sim, exato. O que gravamos é chamado Bhajan. Eu gravei uma seção clássica de 20 minutos de solo de cítara. O que fizemos foi uma coisa folclórica. Quando você pega uma música com letra e a transforma em instrumental, eles a chamam de Bhajan. Geralmente é para acompanhar a dança. Cada Bhajan é feito para uma divindade diferente – o que fizemos foi para Ganesha e Shiva.

Como foi a sessão hoje aqui no estúdio?

Foi maravilhoso! Todo mundo está muito feliz com o resultado. Na verdade não somos uma banda, nós ensaiamos ontem para gravar hoje. Eles são músicos talentosos e amigos de longa data.

Mas você já tocaram ao vivo juntos, certo?

Sim, já tocamos. Vou lançar o que gravamos aqui em breve. Vamos tentar nos apresentar em festivais culturais também. O que fizemos hoje é algo totalmente diferente, mesmo comparado à típica música indiana fusion.

Veja uma amostra do Fabio tocando a intrincada e viajante “Ganesha Dancing”.

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