Bahule Quartet: a voz expressiva e marcante de Moçambique no Brasil

Bahule Quartet: a voz expressiva e marcante de Moçambique no Brasil

8 Dec 2015

O arranjo sofisticado que mistura sonoridades brasileiras e africanas do Bahule Quartet é ancorado no vocal expressivo e marcante da cantora moçambicana Lenna Bahule. A banda veio para o Converse Rubber Tracks em São Paulo para sua primeira sessão juntos em um estúdio profissional de gravação. Depois das gravações, conversamos com a banda sobre suas origens e o que motivou Lenna a sair de Moçambique para se aventurar no Brasil.

Conte-nos como vocês se conheceram e como o Bahule Quartet começou.

Lenna Bahule: Bom, quando eu cheguei em São Paulo, há mais ou menos três anos, eu queria tocar com diferentes músicos e instrumentos. Eu havia conhecido o Kiko e o Ed pelo Facebook e já acompanhava o trabalho deles quando ainda estava em Moçambique. E eventualmente eu conheci o Gabriel. Quando eu comecei a fazer bons contatos com algumas casas e bares, um amigo recomendou o Kiko para tocar baixo…e começamos a procurar uma pessoa já com alguma experiência em ritmos moçambicanos.

Depois de algum tempo, mudamos um pouco a formação e o Ed entrou para a banda. Em 2013, o projeto ficou bem mais intenso. Ensaios semanais para levantar o repertório, que nesse momento eram algumas músicas minhas com alguns covers. Cheguei a conclusão que não faria mais sentido ser a Lenna e banda. Deveríamos ser umas coisa só. Debatemos e decidimos que iria se chamar Bahule Quartet.

O que vocês já lançaram?

Kiko Woiski (baixo): Temos alguns vídeos no Youtube que gravamos em um show no Espaço Cachuera!, aqui em São Paulo. Além destes vídeos ao vivo, temos músicas postadas no Soundcloud.

Como foi a sessão de hoje? O que vocês gravaram? Já tem planos para lançar?

Kiko: Sim, gravamos 5 canções hoje. Com certeza queremos lançar um EP com ela.

Vocês já tinham gravado algo antes?

Kiko: Acho que todos nós já gravamos em bons estúdios antes, mas aqui é demais. Um estúdio de altíssima qualidade.

Edson Woiski (mandolin): Sim, mas individualmente. Essa é a primeira vez que o Bahule Quartet entra junto em um estúdio de gravação de verdade.

Kiko: Hoje foi muito bom e importante. Estamos no meio de um processo: tocando juntos há um bom tempo, criando liga entre nós. Eu disse a eles hoje mais cedo que eu não consigo lembrar de ter uma sessão tão relaxada como essa. Foi decisivo para o ótimo resultado que obtivemos.

Lenna, você veio de Moçambique. O que te trouxe pro Brasil?

Lenna: Eu vim pro Brasil procurando uma oportunidade para estudar. Eu já tinha contato com a música brasileira, que eu adoro. Eu achava que seria um lugar muito interessante para estar. A cena da minha cidade já não me bastava mais. Eu estava muito curiosa para saber o que rolava por aqui e como eu me encaixaria na cena local. Tudo que eu tinha de referência me dizia que aqui era um lugar muito fértil, criativamente falando. A música me trouxe aqui.

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